segunda-feira, 28 de março de 2011

A pseudopopularidade

Na fato acima, o ex-BBB Max (esforcei-me para lembrar quem ele era) simulando com o champagne o nascimento da primeira filha. Patético se prestar a este papel em frente a porta da maternidade...

Existem tantos famosos nesse mundo cão que eu não sei mais identificar uma celebridade verdadeira. Para coroar essa minha dúvida, um desabafo de Wagner Moura em uma revista de atualidades:


“Não vou ser palhaço desse circo”, avisando que não apóia e não participa desse esforço constante que os artistas e alpinistas à fama fazem para estar diante dos holofotes.


Aplausos para o Wagner, o melhor ator do circuito nacional no momento, provando que não é necessário expor a vida pessoal para ter o reconhecimento almejado como artista.


Fiquei chocada quando soube que a atriz Cibele Dorsa suicidou-se, mas antes comunicou que praticaria tal ato pelo Twitter. Postei no meu perfil: “O que esse povo pensa? Que no céu tem TV Fama?”, e recebi uma série de insultos dizendo que eu não posso julgar essa atitude.


A questão não é o julgamento, o fato é: pq esse povo tem mania de avisar todo e qualquer ato próprio para a mídia e redes sociais? É a personalidade tomada por comportamentos narcisistas.


Obviamente, a moça passava por um período conturbado, mas ainda assim, teve tempo de mandar uma carta ao editor da Caras comunicando os motivos que fizeram com que ela se matasse. Que absurdo!


Até que ponto essas pessoas precisam tratar suas questões pessoais como se fossem coletivas? Por que quintuplicar por conta própria sua importância como celebridade?


Dia desses, a tal da Geisy Arruda publicou uma foto da bunda no Twitter para mostrar como o tratamento das celulites estava dando resultado. Que vontade é essa de se tornar um ícone da cultura popular? Parece uma desordem mental. Não vejo propósito para uma atitude dessas, mesmo sabendo que a massagem na bunda dela é permutada.


Eu já vi uma dessas ex-participantes de reality show agradecendo a depiladora no programa da Luciana Gimenez. Pensei: Que merda é essa, se considera famosa, mas precisa permutar até a retirada dos pelos? Não seria melhor arranjar um trabalho com remuneração para ficar ausente dessa humilhação?


Eu não consigo acreditar que essa filosofia da fama produz algum resultado prático na vida real. Cafonice desmedida de fazer com que cada ato seja transformado numa cerimônia pública.


O que me pasma é a capacidade de mobilização que esse tipo de notícia sem fundamento gera na sociedade.


Há pouco tempo atrás, uma global casou-se com um menino que cheira leite, engravidou dele e antes mesmo do filho nascer, separou-se. Qual a chance de um casamento de uma mulher de 36 com um garoto de 23, no auge da fama, ter sucesso? Me parece um reforço para a insistência em permanecer nesse mundo após os 15 minutos de fama.


É um conglomerado de zés-ninguéns que trabalham diuturnamente a própria exposição da figura. Apadrinham títulos sem nexo, buscam consolo na mídia. Anseiam o clamor popular. Articulam até brigas baixas que possam render-lhes cliques em sites de fofoca. Ao invés de abafar questões íntimas, divulgam suas crises.


Parece-me falta de conforto emocional. Sou feliz por ser anônima e ter a cabeça no lugar.

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